Afirmaram Que Eu Imaginava Minha Dor

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Afirmaram Que Eu Imaginava Minha Dor

Afirmaram Que Eu Imaginava Minha DorEm Portugal a dor crônica atinge 40% da população. Várias vezes me disseram que era eu que estava a imaginar a dor. 

Afirmaram Que Eu Imaginava Minha Dor 

Afirmaram Que Eu Imaginava Minha Dor: Estima-se que, em Portugal, cerca de 40% da população adulta sofra de dor crónica. Uma condição que atinge, sobretudo, mulheres ou grupos populacionais mais vulneráveis e que é, quase sempre, subvalorizada. Diana Azevedo convive com a patologia, cujo diagnóstico chegou 9 meses após os primeiros sintomas. “Mesmo depois de chegarem a um diagnóstico, alguns especialistas continuaram a desvalorizar a minha dor”.

A dor crónica é geralmente definida como uma dor persistente ou recorrente durante pelo menos 3 a 6 meses, que persiste para além da cura da lesão que lhe deu origem, ou que existe sem lesão aparente.

Apesar de nem sempre existir uma causa óbvia para a dor, sabe-se que esta atinge sobretudo o sexo feminino e que a idade é um importante fator de risco, a par do excesso de peso ou obesidade.

Entre as principais causas estão doenças como o câncer, diabetes ou osteoartrite, bem como os traumatismos ou má postura. Esta pode ainda estar associada a um período de pós-operatório ou surgir sem causa aparente.

Diana Azevedo sofre de dor crónica. Uma condição que tem limitado a sua vida pessoal e profissional. “Sou bailarina e professora de dança e tive que parar de trabalhar completamente durante nove meses”, começa por dizer.

No seu caso, a dor atinge toda a parte superior do corpo – cabeça, face, pescoço, ombros, braços, zona cervical e escapulas – e é causada por vários problemas estruturais. “O primeiro, devido a um acidente rodoviário que tive há mais de 10 anos, é uma hérnia cervical e 5 ou 6 protusões ao longo de toda a coluna. Essa hérnica cervical está a prender o nervo mediano no meu braço direito e causa-me dores intensas no pulso, braço e escapulas”, explica.

Diana sofre ainda de uma luxação na articulação temporomandibular, causada por disfunção de ATM que lhe causa dores “insuportáveis” na face. A combinação destes problemas desencadearam, como explica, um processo de dores “agudas intensas e constantes” ao longo de vários meses. “Alguns dias essas dores viajavam por todo o corpo e variavam entre picadas, queimaduras, choque elétricos ou paralisias momentâneas”, refere.

A angústia da dor levou-a a recorrer a vários médicos que, sem resposta, demoraram cerca de nove meses a chegar a um diagnóstico. “Fui acompanhada por três equipes profissionais no Hospital de Gaia – Neurocirurgia, Cirugia Maxilofacial e Consulta da Dor. Após vários meses a fazer exames, a ir a consultas semanais (por vezes, duas vezes por semana) e a várias consultas da urgência, conseguiram chegar ao diagnóstico final”, conta revelando que, entre a primeira consulta e a certeza de que padecia de dor crónica, passaram nove meses. “Durante este processo consultei também vários profissionais e realizei vários exames no sistema privado”, admite.

Por não ser facilmente compreendida, Diana admite que, mesmo depois do diagnóstico, sentiu que a sua condição não foi valorizada. “Durante os meses em que os especialistas não conseguiam chegar a um diagnóstico, várias vezes me disseram que era eu que estava a imaginar essas dores. Que não se justificava ter dores tão intensas com os problemas que parecia apresentar. Mesmo depois de chegarem a um diagnóstico, alguns especialistas continuaram a desvalorizar a minha dor”, revela acrescentando que, na sua opinião, muitos clínicos não estão “preparados” para uma problemática que atinge milhares de pessoas em todo o mundo.

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Afirmaram Que Eu Imaginava Minha Dor

Incapacidade física e/ou funcional, afastamento social ou perturbação do sono – que chega a atingir 90% dos doentes – são algumas das principais consequências da dor. Vários são os estudos que demonstram uma diminuição bastante significativa da saúde física e mental dos pacientes.

“As repercurssões a nível profissional, no meu caso, foram gigantescas. Recomecei a dançar em setembro de 2017 mas, infelizmente, às vezes não consigo dar aulas porque estou novamente com dores e só consigo ficar deitada a descansar o dia todo”, comenta acrescentando que, como trabalha por conta própria, teve de “viver à custa de familiares” durante os nove meses em que não pôde trabalhar.

Também a nível social e familiar afirma ser díficil gerir emoções. “Custa-me muito ver a dor que as pessoas mais próximas sentem por não me conseguirem ajudar. Apesar de estarem sempre presentes, sinto que esta situação os esgota cada vez mais e que se sentem impotentes perante a minha situação”, comenta.

Vários estudos internacionais têm apontado o yoga e o pilates como duas atividades que mais ajudam a combater a dor crónica, do mesmo modo que a acupunctura e as massagens terapêuticas que contribuem para o alívio dos sintomas.

No entanto, devido à sua complexidade, a dor crónica requer abordagens diferenciadas e complementares, como tratamento físico e psicológico e terapêutica farmacológica onde se inclui uma gama alargada de medicamentos para alívio da dor (analgésicos).

Acompanhada pela Consulta da Dor desde o diagnóstico, Diana Azevedo já utilizou vários medicamentos e admite que nenhum “funciona completamente”. “Há dias em que ajudam um pouco, mas a maioria das vezes não surtem qualquer efeito”, diz desapontada.

Na tentativa de atenuar a dor já fez fisioterapia e decidiu, paralelamente ao tratamento indicado pelos especialistas, fazer acupunctura, meditação e pilates. “Esta terapia (acupunctura) tem sido a única prática que me ajuda verdadeiramente”, revela admitindo que se esta “não fosse tão pesada financeiramente e pudesse fazer diariamente”, não hesitaria.

“Estas terapias, complementadas com a minha atividade profissional – a dança – permitiram-me encontrar uma forma mais orgânica de lidar com o meu dia-a-dia e encontrar forças para voltar a trabalhar e viver da melhor forma possível, com mais otimismo, perseverança e muita paciência e compaixão para comigo mesma”, revela.

Para além disso, Diana revela ter cuidado com a alimentação, um dos aspetos que considera de extrema importância para qualquer doente, e não descura a prática de exercício físico.

“O exercício físico, para mim, é a melhor terapêutica deste processo de recuperação. Quando dou as minhas aulas e danço, quase não sinto dores”, afirma.

Foi assim que Diana chegou ao Centro de Reabilitação de Gaia, onde teve acesso gratuito a consultas de psicologia. “Esse profissional fez um trabalho incrível comigo e ajudou-me a encontrar paz de espírito e positividade na minha vida”, afirma. “Graças a esta associação, ao psicólogo, à minha acupunctura e às pessoas que me são próximas, hoje já consigo ter uma vida ativa e viver a maioria dos dias sem dor”, conclui.

Autor: Sofia Esteves dos Santos

Fonte: Atlas da Saúde 

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